Economia e política (9)

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Economia e política (9), n. 142, 14 mai. 1999.

 

 

As mobilizações populares são a base da força política da esquerda. Sem elas, a esquerda fica limitada a suas representações parlamentar e administrativa minoritárias, importantes e decisivas estratégica e taticamente somente com o respaldo da força social.

A situação dos governadores de esquerda é exemplar. Do ponto de vista da acumulação de forças, eles precisariam adotar uma estratégia de confronto, sinalizando para as camadas populares e a sociedade sua disposição de enfrentar as políticas destrutivas de FHC, ao mesmo tempo que deveriam mostrar-se dispostos a negociar toda vez que isso fosse necessário e sob condições transparentes. Essa combinação permitiria, por um lado, mobilizar os setores sociais prejudicados pelas políticas neoliberais e, por outro, desmontar as táticas diversionistas do governo.

Infelizmente, não foi o que aconteceu. Deixaram a estratégia de confronto para Itamar, caíram na armadilha da reunião sem pauta, não mobilizaram ninguém, não viram atendidas nenhuma de suas reivindicações, deram tempo a FHC para recompor-se e agora, sentindo-se ludibriados, são obrigados a reavaliar sua política de relacionamento com o governo, voltando à estaca zero.

Em outras palavras, não acumularam forças nem para enfrentar FHC e seu bloco, nem para disputar a hegemonia com a oposição burguesa representada por Itamar. Não possuem a força das mobilizações, nem têm objetivos claros e unificadores. Nessas condições, tanto a luta contra a gestão neoliberal do país, quanto a aliança com Itamar e outros setores oposicionistas da burguesia tornaram-se ainda mais complexas.

Olívio Dutra tenta superar essas dificuldades através de decisões políticas de confronto com as corporações transnacionais, latifundiários, empreiteiros e outros segmentos beneficiados pelas políticas neoliberais. Jorge Viana, ao contrário, dá seu apoio à nova política agrária de FHC. Um se empenha na concretização de uma plataforma de lutas, reivindicações e propostas sintonizadas com as reivindicações e interesses dos trabalhadores e demais camadas populares. O outro acredita que, negociando com FHC, pode atender aos reclamos da sociedade de seu estado.

De qualquer modo, qualquer que seja a interpretação sobre essas orientações estratégicas e táticas, o divisor de águas entre elas só poderá ser a mobilização popular que a respaldar. Sem tal mobilização, não haverá comprovação prática do acerto de uma delas, nem se efetivará a acumulação de forças para evitar uma nova conciliação conservadora e abrir caminho para outra sociedade.

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