Economia e política (8)

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Economia e política (8), n. 141, 04 mai. 1999.

 

 

Quando se fala de uma política de confronto contra FHC, vem logo à baila a questão da negociação, como se uma coisa negasse a outra. Toda a história das lutas sociais e políticas mostra que é possível adotar estratégias de confronto e, ao mesmo tempo, utilizar táticas de negociação e diálogo.

A estratégia de confronto com FHC é uma necessidade, para as forças populares. Primero, porque a natureza de seu governo é antipopular e antidemocrática. Sua aliança com as velhas oligarquias dominantes não foi um simples expediente para derrotá-las “por dentro”. Ou, se foi, não deu certo.

FHC, a intelectualidade estrangeirada e os setores políticos que o seguiram transformaram-se no instrumento de uma nova dominação do país pelas corporações estrangeiras. Sua política visa destruir não só o Estado nacional e os setores obsoletos do capitalismo nativo, mas principalmente as camadas populares e seus setores organizados. As ilusões a esse respeito têm sacrificado os mais honestos moderados. Enfrentar esse bloco político e sua sustentação social  –  as grandes corporações estrangeiras e suas associadas nativas  –  é uma questão de sobrevivência popular e nacional.

Por outro lado, é preciso adotar táticas que levem em conta as fraturas que ocorrem dentro desse bloco. Não se trata, como pretendem alguns, de puxar FHC novamente para a esquerda. Isso seria cair em suas artimanhas, supondo que as divergências dele com ACM-PFL ou Jader-PMDB são de natureza antagônica. Eles são integrantes da articulação que dividiu o poder entre si. Para a intelectualidade, o Executivo; para o PFL e o PMDB, as casas do Legislativo. A todos é preciso isolar, tendo FHC como alvo principal.

No entanto, as fraturas expostas no PMDB e, em certa medida, no PSDB, podem permitir a neutralização ou a atração de algumas personalidades ou alas para a oposição. Isso inclui Itamar, que não só se bandeou para o lado oposicionista, mas pretende assumir a hegemonia do campo democrático e popular. Diante disso, há setores da esquerda que simplesmente querem aderir a ele. Outros pretendem subordiná-lo à hegemonia do PT na base do convencimento. Há ainda os que querem golpear juntos com ele e marchar separados. E existem os que pretendem golpear separados e marchar separados.

São táticas diferentes para um mesmo caso, mostrando as dificuldades para articular o confronto e a negociação quando, além da ausência de uma estratégia definida, falta mobilização social com força consistente para impor seus próprios rumos às forças políticas.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *