Economia e política (7)

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Economia e política (7), n. 140, 01 mai. 1999.

 

 

Como temos visto, os cenários presentes e futuros são de crescente instabilidade, embora permeados por momentos de aparente calmaria. Somente um milagre pode evitar que o país se veja às voltas com mobilizações sociais, mesmo espontâneas, e situações de ingovernabilidade. Simplesmente porque o sucesso da macroeconomia de FHC depende de recessão, desemprego, quebradeira de empresas, aumento da violência e assim por diante. Numa perspectiva dessas, todos os agrupamentos políticos são constrangidos a colocar-se uma questão chave: como capitalizar esse processo e conquistar a hegemonia?

No bloco do poder, os partidos de sustentação governamental procuram apresentar-se como alternativa ao próprio FHC. ACM e o PFL escolheram a moralização do Judiciário e a reforma tributária como bandeiras principais. O PMDB, além de defender a recomposição salarial, volta suas baterias contra o sistema financeiro, enquanto a tucanagem dá tratos à bola para sair da defensiva e descobrir como não afundar junto com seu chefe.

Na oposição, Itamar saiu na frente ao tomar como alvo central toda a política neoliberal de FHC. O bloco de esquerda procura atrair Itamar, mas sofre um processo de desagregação pela ausência de bandeiras unificadoras. Enquanto o PT tem como alvo principal a mudança na política econômica, o PDT exige a renúncia de FHC e seu vice, Marco Maciel, o que desagrada aos oposicionistas moderados.

Desse modo, a esquerda periga não capitalizar nada ou assistir a Itamar assumindo a hegemonia do campo democrático e popular. Talvez as recentes radicalizações do PT expressem essa preocupação. Resoluções de sua direção nacional, além de reconhecerem que a reunião dos governadores petistas com FHC foi um fiasco, recomendando que não participem de outras, admitem a legitimidade daqueles que exigem “o fim do governo” FHC por meios democráticos e constitucionais. Em conseqüência, adotaram o “Basta de FHC e do FMI” e decidiram-se a construir “um amplo movimento social e político”, respaldado “numa plataforma de defesa dos interesses da sociedade”.

Embora seja um avanço, a esquerda talvez devesse adotar uma estratégia de confronto ainda mais firme contra FHC, a partir da defesa intransigente dos interesses populares, como emprego, salário, moradia, transporte, educação e saúde. Somente com base numa poderosa mobilização popular, a esquerda pode arrogar-se o direito de defender os interesses da sociedade e a legitimidade de mudar o governo para mudar as políticas econômicas e sociais.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *