Economia e política (4)

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Economia e política (4), n. 137, 06 abr. 1999.

 

 

Havia a suposição de que a estabilidade monetária possibilitaria a estabilidade política. A burguesia apoiava a intelectualidade no poder, as massas populares nutriam ilusões no Real e a esquerda ficara perplexa e paralizada. Apesar disso tudo, viveu-se na instabilidade política.

Mesmo apoiando a globalização, a burguesia sentia-se acuada. Os obsoletos foram quebrando. Os eficientes afogaram-se na competitividade e venderam seus ativos para multinacionais. Os capitalizados subordinaram-se ao predomínio de grupos externos nas privatizações. E até os cartoriais, como bancário, imobiliário e seguros, engoliram os estrangeiros em suas áreas cativas.

Pela modernidade, todos esses setores burgueses limitaram-se a exigir, quando puderam, preços mais altos. Aliás, o mesmo que seus representantes políticos ante as reformas e aberturas que feriam seus interesses particulares em benefício dos interesses corporativos estrangeiros. Tudo se resumiu ao preço. Os sacrifícios dos trabalhadores e demais camadas populares e a desestruturação nacional pouco importaram.

Entretanto, nesse ramo, exigir preço mais alto inclui métodos nem sempre convencionais, como mostrou a compra de votos para a reeleição e os grampos relacionados com a disputa pelas teles. Por outro lado, como o Real estava ancorado nos fluxos externos de capitais especulativos, os distúrbios internacionais também refletiam-se nas disputas por um lugar ao sol.

Tudo isso gerava fatores de instabilidade política, refletindo-se negativamente na macroeconomia do Real. Esta necessitava velocidade de implantação, para evitar ser desmascarada antes de haver alcançado seus objetivos básicos. Não conseguiu. Na crise russa de agosto de 1998 o governo perdeu a capacidade de gerenciar o plano e o pacto de dominação.

A burguesia não tinha, porém, como trocar de cavaleiro na reta final das eleições. Teve que realizar uma operação salvamento de amplitude internacional, que incluiu o FMI e os dirigentes das principais potências capitalistas. Garantiu a reeleição, mas não podia evitar a crise da desvalorização nem o fato de que tinha um governo que findara antes de começar.

Essa situação aprofundou a subordinação ao pacto em que a burguesia estrangeira não só monopoliza a economia brasileira, mas determina os rumos políticos do país. O presidente do FMI dá a última palavra. Pode até conseguir certo equilíbrio macroeconômico, mas aprofunda a crise social e agrava as fraturas e as tensões na burguesia nativa, como é possível assistir mais uma vez nas disputas entre PFL, PMDB e PSDB em torno de cargos, CPI’s do Judiciário e dos Bancos e reformas tributária e judiciária.

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