Descaminhos

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Descaminhos, n. 498, 06 mai. 2006.

 

 

O PT acabou de realizar o seu 13º. Encontro Nacional, com cerca de 1200 delegados, onde aprovou a tática eleitoral, colocando as alianças sob a tutela do seu diretório nacional, e confirmou o compromisso com as investigações e punições dos dirigentes envolvidos em irregularidades e delinqüências.

É verdade que muita gente gostaria que o PT desse prioridade a esse processo de investigação e punição e, a seis meses das eleições presidenciais e estaduais, se engalfinhasse numa luta interna. Também há os que desejariam que o partido concentrasse seu fogo contra a política monetária, atirando no próprio governo que pretende reeleger.

Alguns queriam que o PT declarasse que apenas faria alianças com os partidos de esquerda, como PCdoB e PSB, excluindo qualquer possibilidade de ampliação do arco de alianças. Do outro lado, havia os que desejavam que o PT nominasse os partidos passíveis de aliar-se a ele, sem antes ter uma idéia clara das possibilidades e das condições para as alianças.

Ao aprovar que o centro da tática, nos próximos seis meses, consiste em derrotar a direita, representada pela candidatura do PSDB e PFL, o PT demonstrou que não perdeu o senso da realidade política. Ao mesmo tempo, reiterou sua disposição de continuar a inflexão em que ingressou, após a realização do seu Processo Eleitoral Direto, para corrigir os erros e desmandos políticos e de outros tipos, cometidos pela antiga direção partidária.

Se a imprensa, assim como setores da esquerda e do centro, têm dificuldade em compreender essa combinação, isso se relaciona, mais uma vez, à falta de clareza sobre o que realmente está em jogo. A tal ponto que alguns consideram que a vitória de Lula, já no primeiro turno, ou mesmo no segundo turno, constituiria uma catástrofe para o país, porque representaria a privatização do Banco do Brasil e de outros patrimônios nacionais.

Pode-se criticar o atual governo Lula numa série de aspectos. Mas, além da política externa, radical e infinitamente diferente daquela praticada por FHC, se existe outra em que houve uma ruptura silenciosa, mas profunda, em relação à era tucano-pefelista, essa foi a de sustação das privatizações. Assim, ao não reconhecer o inimigo ou adversário principal, há muita gente boa que entrou por descaminhos e faz ilações absurdas.

Uns não se acanham de andar de braços dados com a tropa de choque do PFL e PSDB, embora saibam o que essa dupla pretende, se for reconduzida ao governo do país. Outros acham que a única alternativa é o PMDB, com Garotinho à frente, embora não seja difícil descobrir o que esse aventureiro pretende. Assim, apesar dos problemas do primeiro mandato do governo Lula, o melhor combate ainda permanece sendo aquele em que, ao derrotar a direita, se criem as condições para superar os desvios do PT e de seu governo.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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