Depois… não adianta!

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Depois… não adianta!, n. 127, 26 jan. 1999.

 

 

A crise é sem rebuços, clara, insofismável. E seus responsáveis, FHC, sua equipe de intelectuais alienados, a burguesia brasileira que sonhou com o primeiro mundo e entrou na rota do suicídio, e os partidos políticos que propiciaram a implantação de suas políticas.

Antes era estranho que setores da oposição popular não enxergassem a destruição que a política de FHC causava ao país, nem que ela, em algum momento, desembocaria num desastre. Agora, porém, é inconcebível que ainda se deixem levar pela lábia mistificadora do enganador que ocupa a presidência da República e acreditem que ele está aberto ao diálogo e a encontrar saídas para o bem da nação.

Os atos lesivos e destrutivos praticados a pretexto de uma destruição construtiva são por demais conhecidos. O próprio FHC tem reiterado considerar-se a nação, o mandante. A política econômica, a política social, as MP’s ditatoriais, são todas ordens e decisões suas. Até admite-se que camadas mal informadas da população ainda sejam enganadas pelas mentiras do Planalto. Porém, ninguém mais da oposição popular tem o direito da dúvida quando ao papel desse antigo falso esquerdista. Ou de supor que se deva evitar sua desestabilização política porque isso seria perigoso para a democracia.

Perigoso para a democracia tem sido o governo de FHC, a aplicação impune de suas políticas, a edição de suas MP’s, o fisiologismo instalado no Congresso, a quebra do pacto federativo, a utilização da máquina estatal para as negociatas com os bens públicos e o enfraquecimento dos sindicatos pela ação desempregante.

Seria importante que os setores da oposição popular que ainda nutrem alguma dúvida sobre a necessidade de uma política inflexívelmente popular e oposicionista contra esse governo desagregador fossem às filas. Nelas, nos bancos, postos do INSS, hospitais, matrículas escolares, onibus, trens, metrôs, postos de desempregados e inúmeras outros locais onde o povão sacrificado paga sua cota ao Custo Brasil, conversa, cruza e verbaliza suas frustrações e insatisfações, eles poderiam ouvir e sentir o furacão que está se armando.

Ou a oposição popular se torna um canal por onde desague, de forma organizada e positiva, toda a mágoa represada do povo brasileiro, principalmente daquela parte que se sente traida pelas promessas enganosas do príncipe dos sociólogos, ou terá ela também que se haver com a fúria espontânea e desorganizada dessa mágoa. Aí, então, já não adiantará chorar sobre o leito derramado.

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