Crescimento e emprego

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Crescimento e emprego, n. 355, 19 jul. 2003.

 

 

Crescimento econômico e emprego continuam as duas maiores preocupações dos brasileiros. Não sem razão, o presidente Lula lançou o programa Primeiro Emprego e figuras do governo têm aumentado as declarações no sentido de que chegou a hora de resolver tais problemas.

Infelizmente, a quase totalidade dessas declarações parece enxergar crescimento econômico e emprego como antecedente e conseqüente umbilicais. As próprias críticas ao programa Primeiro Emprego limitaram-se a apontar a possibilidade de opor, no mercado de trabalho, jovens a chefes de família. Supõem que aí se encontra o cerne da dificuldade na geração de empregos, sem levar em conta que, nas atuais condições brasileiras, o máximo que programas desse tipo podem obter é uma rotatividade no trabalho.

E isso não por defeitos dos programas, mas por problemas no funcionamento da economia real. As cadeias produtivas e de serviços dinâmicas e de competição interna da economia brasileira, formadas principalmente pelas corporações transnacionais e pelas grandes e médias empresas nativas, são obrigadas a buscar crescente competitividade para manter-se no mercado. E só conseguem isso elevando sua produtividade e, portanto… cortando empregos.

Em tais condições, qualificar mão-de-obra e estimular o primeiro emprego dos jovens, tendo por base o crescimento dessas cadeias produtivas, é o mesmo que jogar água pelo ladrão. Poderá haver o paradoxo de obter crescimento econômico, mas a nova dinâmica industrial fazer com que, paralelamente, cresça o desemprego. Para combinar os dois aspectos – crescimento e emprego -, é preciso encontrar uma outra saída: jogar pesado na expansão massiva dos pequenos e micro-empreendimentos.

Não interessa discutir aqui se tais empreendimentos podem desempenhar papel de monta no crescimento geral da economia. Mas, certamente, eles são os únicos que podem impedir que os programas de Primeiro Emprego e qualificação da força de trabalho funcionem apenas como instrumentos de substituição de chefes de família por jovens, ou de trabalhadores não-qualificados ou menos qualificados por trabalhadores qualificados ou mais qualificados.

Em outras palavras, é essencial que, na política industrial, seja dada a atenção devida aos setores dinâmicos ou quase-dinâmicos, pelo papel que desempenham no esforço exportador e na retomada do crescimento. Mas, ao mesmo tempo, se quisermos que o desemprego seja enfrentado com a mesma atenção, será necessário que as pequenas e microempresas, milhões delas na informalidade, possam ter condições de criar empregos massivamente.

O que impõe dar amplitude, organicidade e escala aos programas de micro-crédito e de comercialização das pequenas e microempresas, com medidas de impacto que sinalizem claramente o papel que elas podem e devem desempenhar na retomada do crescimento do país.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político

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