Chuchu com espinhos

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Chuchu com espinhos, n. 521, 14 out. 2006.

 

 

As táticas utilizadas pelo governador tucano de São Paulo, durante o debate eleitoral na rede Bandeirantes, se não serviram para esclarecer as verdadeiras propostas da direita para retornar ao governo, serviram pelo menos para mostrar quem representa as tradicionais classes dominantes, e como um picolé de chuchu tucano-pefelista pode transformar-se num porco espinho perigoso.

Utilizando a tática de transformar cada pergunta em cinco ataques interrogativos e uma pergunta genérica, o tucano encostou Lula nas cordas. Ao invés de denunciar o método e avisar ao público de que, com dois minutos, seria impossível sequer responder a um dos ataques, Lula procurou responder a tudo, e gastou seu tempo deixando muita coisa sem resposta.

Por outro lado, usando a tática do despiste, o governador paulista prometeu que não vai privatizar nada. Procura fazer crer que não vai repetir o sucateamento e venda de estatais por ninharias, com dinheiro do BNDES, embora os caciques e intelectuais tucano-pefelistas repitam à exaustão que as privatizações serão retomadas. Quem está mentindo, o governador ou os dirigentes dos partidos que o apóiam?

Repisando na tática de dizer que Lula nada fez em três anos e meio de governo, o governador paulista também prometeu que vai dar continuidade ao Bolsa Família. Mas, se esse é um dos programas virtuais do governo Lula, por que o candidato tucano se vê na contingência de dizer que vai continuá-lo? Está com medo de dizer o que realmente vai fazer ou também está mentindo?

Voltando à tática de despiste, o governador que um dia foi chamado de chuchu passou ao largo da crise de segurança de São Paulo, afirmando que seu governo investiu 10 bilhões de reais em segurança pública e formou uma polícia militar de mais de 130 mil homens. Lula parece haver perdido a oportunidade de perguntar a ele como, tendo investido essa dinheirama, e criado uma PM maior do que a Marinha e a Aeronáutica, deixou que o PCC se fortalecesse e cometesse as barbaridades que afligiram a população paulista.

Afinal, os brasileiros precisam saber que o governo tucano-pefelista de São Paulo jogou dinheiro fora com uma política de segurança errada. E, ao querer levar tal política para todo o país, certamente quer que o Brasil gaste uma montanha de recursos para transformar o PCC paulista em PCC nacional. Para quem é capaz de botar espinho em chuchu, não é difícil realizar essa mágica se for eleito presidente do país.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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