China: reduzir o desconhecimento

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | China: reduzir o desconhecimento, n. 399, 29 mai. 2004.

 

 

A China, definitivamente, virou moda no Brasil. Todos parecem havê-la descoberto e muitos já acham que entendem tudo a seu respeito. De positivo, o aumento da percepção das vantagens de uma parceria estratégica entre Brasil e China. Porém, aproveitar tais vantagens exige romper com os mitos que ainda se escrevem sobre ela (alguns citados no comentário anterior) e superar o desconhecimento generalizado sobre sua realidade.

Mesmo entre os bem informados, há os que afirmam não existirem leis, nem sistema estatístico confiável na China. Para eles, trata-se de um país institucionalmente primitivo, de governo truculento, que teria rasgado os contratos de absorção de Hong Kong e estaria ameaçando Taiwan. Isso para dizer o mínimo. Desconhecem a legislação e os sistemas estatísticos chineses. Não apresentam provas de contratos rasgados. Desconsideram que Taiwan é uma província da China e que esta reage às ameaças de secessão. E tomam os defeitos como eternos, sem considerar a história.

São tantas as desinformações que o primeiro passo deveria ser a verificação da realidade com os próprios olhos. Na impossibilidade de uma visita à China, resta o espírito crítico a respeito dos chavões repetidos na imprensa e uma busca de informações que permitam um conhecimento mais seguro sobre esse país.

Por isso, neste ano de 30º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre Brasil e China, ganham relevo alguns eventos políticos, comerciais e culturais no âmbito dos dois países. Em maio, o presidente Lula foi em visita à China. Em junho, a Agência de Promoção de Exportações realizará Rodadas de Negócios em Shanghai. Entre 31 de agosto e 03 de setembro, haverá em Beijing uma exposição brasileira de caráter econômico, comercial e cultural, com seminários, workshops, rodas de negócios e visitas técnicas. E, em outubro, ocorrerá um Festival Cultural chinês no Brasil.

A visita presidencial intensificará os acordos de cooperação, em todos os campos, em especial facilitando as viagens entre os dois lados, não só de missões oficiais, mas também de turistas. A APEX poderá abrir novos canais de negócios em alguns segmentos. A Expo Brasil China poderá ampliar a pauta de exportações brasileiras e dar seletividade às importações, atrair capitais chineses, aumentar os intercâmbios científico, tecnológico, turístico, artístico e esportivo e estreitar os laços políticos. E o Festival chinês poderá contribuir para aumentar o conhecimento brasileiro sobre a China e seu povo.

Maior conhecimento sobre a China contribui, entre outras coisas, para entender as diferenças e os aspectos complementares de ambos os países. Afinal, não são muitos os que sabem como a China se tornou, em poucos anos, um dos três maiores parceiros comerciais do Brasil.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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