China: parceria estratégica

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | China: parceria estratégica, n. 400, 05 jun. 2004.

 

 

Construir uma parceria estratégica com a China tornou-se fundamental para o desenvolvimento brasileiro. A China desenvolveu-se mais de 8% ao ano, durante mais de 20 anos, na contra-corrente da recessão neoliberal, e alcançou um patamar em que pode contribuir para o crescimento brasileiro.

Tal parceria, porém, demandará trabalho duro. Os chineses possuem uma cultura de negócios peculiar. São metódicos, detalhistas, pacientes e agressivos em relação a qualquer tipo de negociação, seja econômica, científica, tecnológica, cultural, social ou política. Preparam-se muito para as negociações, têm clareza do que desejam e, embora sempre prontos a concessões, esforçam-se ao máximo para não fazer nenhuma.

O Brasil terá, então, que cristalizar uma cultura negocial que vá além do aspecto estritamente comercial. Deve visar a reciprocidade, que demanda uma estrada de duas vias: atrair investimentos chineses e investir na China; exportar e importar; intercambiar tecnologias; levar cultura brasileira e trazer cultura chinesa.

Tudo isso requer agregar maiores conhecimentos sobre a cultura chinesa, conhecendo sua história, seus valores éticos, hábitos e tradições, suas reformas, e sua legislação política e econômica. O que remete para a necessidade de criar sinergias entre as diversas áreas brasileiras de atuação, isto é, para a articulação entre as áreas político-diplomáticas, econômicas, científicas, comerciais e culturais.

Para ampliar as exportações para a China, indo além das commodities, será necessário estruturar estratégias adequadas, tanto à cultura milenar, quanto aos novos níveis de consumo dos chineses. Sempre levando em conta o esforço deles para reduzir suas taxas de crescimento de 9% para 7% ao ano, e a possibilidade da renda da população continuar crescendo a 5% nos próximos 30 a 50 anos.

Ampliar os canais de cooperação científica e tecnológica e as relações culturais e esportivas requer encontrar áreas de complementaridade, a exemplo da cooperação na construção e lançamento de satélites. Algo idêntico a fazer na seletividade das importações brasileiras, aproveitando a produção chinesa de equipamentos, máquinas e tecnologias de qualidade e preços favoráveis, para desenvolver os portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, minas, construções e indústrias que o Brasil precisa.

Finalmente, consolidar as relações políticas demanda a criação de fóruns adequados de diversos níveis, que aumentem a cooperação e a ação conjunta de ambos os países nas instituições multilaterais. Desse modo, se há oportunidades para a parceria estratégica entre o Brasil e a China, também haverá trabalho duro para a construção de uma estrada de duas mãos, de múltiplos aspectos, permitindo benefícios mútuos.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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