China aumenta outras tarifas

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | China aumenta outras tarifas, n. 451, 04 jun. 2005.

 

 

A China anunciou novas medidas no sentido de evitar retaliações norte-americanas e européias contra seus têxteis. Dez dias depois de anunciar elevações de até 400% em suas tarifas de exportação sobre 74 categorias de produtos têxteis, o Ministério do Comércio chinês voltou a elevar as tarifas de outras sete categorias de têxteis, medida que entrou em vigor dia 1º.

Esta foi a forma imediata que a China encontrou para responder as novas restrições impostas pelos Estados Unidos e pela União Européia as suas exportações. Os Estados Unidos impuseram medidas contra calças, camisas e cuecas de algodão, enquanto a União Européia anunciou restrições sobre as camisetas e outros produtos sintéticos.

Os chineses reclamam que essas restrições representam mais de 2 bilhões de dólares de prejuízo e corte de mais de 160 mil empregos. Eles anunciaram que a elevação das tarifas que se auto-impuseram atingira cerca de 6 mil empresas. Apesar disso, a China declara-se disposta a continuar se esforçando para resolver as pendências através do diálogo, evitando retaliações.

Ela teme, principalmente, atingir os países em desenvolvimento, com os quais, além de manter um crescente relacionamento comercial, pretende incrementar as parcerias políticas no âmbito dos organismos multilaterais internacionais. No entanto, os chineses também reformaram sua decisão de recorrer a OMC se os Estados Unidos e a União Européia continuarem desconsiderando as medidas adotadas para tornar os têxteis chineses mais caros no mercado internacional e, portanto, menos competitivos.

Os chineses não aceitam como corretas ou justas as medidas restritivas adotadas contra seus têxteis. Reclamam que o fim das cotas foi acordada há mais de 10 anos, durante a Rodada Uruguai, e que todos os países tiveram tempo suficiente para adequar-se às novas condições de livre comércio internacional.

Suas medidas não representam, portanto, qualquer reconhecimento de estarem agindo contra as regras do livre comércio. Apenas querem evitar uma guerra comercial que pode ser prejudicial a todas as partes envolvidas. Porém, dificilmente a China ficará indiferente se as restrições a seus têxteis começarem a atingir não centenas de milhares, mas milhões de empregos.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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