Castigo a galope

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Castigo a galope, n. 245, s/d.

 

 

Qualquer brasileiro hoje tem a impressão que o país está quebrando. Por qualquer lado que se olhe, só há desgraça caindo sobre nossas cabeças. É verdade que FHC dizia que os problemas eram só na política. A economia ia bem, os fundamentos econômicos estavam firmes, e não havia, segundo ele, motivos para tanta fracassomania.

Agora, porém, diante do desastre energético, que vai mexer com todos os fundamentos econômicos e arreganhar suas fraquezas, esse presidente irresponsável diz que foi pego de surpresa. Como é que o presidente de uma República do tamanho do Brasil pode dizer, sem corar nem tremer, que foi pego de surpresa diante de uma crise e de um desastre há muito anunciados por tudo que era técnico competente deste país?

O pior é que a crise energética é só a beira do precipício em que FHC e sua equipe arrogante e vendida colocaram nosso país. Atrás dela virá a quebradeira de muita coisa mais, embora na desgraça sempre haja quem lucre. Depois de 10 anos de privatizações, abertura desbragada aos capitais estrangeiros, achatamento de salários, redução dos investimentos sociais e outras medidas que a propaganda fantasiosa do governo justificava como indispensáveis para a modernização do país, o que temos é um cenário de naufrágio.

Ao contrário das crises anteriores, desta vez não foi possível aos homens do presidente, nem a ele, manterem a calma irresponsável dos que não se importam com as conseqüências do que estão fazendo. Como o próprio FHC teve que reconhecer, o desastre atingiu a estrutura do país. Diremos que da mesma forma que o vazamento de gás e o fogo atingiram a coluna da P-36, levando-a ao fundo. Mas eles, mais para salvar-se do que para salvar o povo, pretendem fazer mais concessões às empresas estrangeiras de energia, que contribuíram para a crise ao não investir como era a promessa, enquanto procuram fórmulas para cobrar da população pela irresponsabilidade que é deles.

Depois que o professor Gianotti, o filósofo amigo do presidente, garante que moral não tem nada a ver com política e que FHC tem mesmo que comprar os deputados e senadores para evitar as investigações sobre corrupção no seu governo, e depois que está feito o acordão para salvar ACM e Arruda, o que esperar desses homens no poder? Que eles trabalhem pelo bem do Brasil? Que cumpram suas promessas?

A nossa esperança, como diz o ditado popular, é que o castigo vem a galope. No entanto, como em qualquer estouro sempre há o perigo de serem atingidos inocentes desprevenidos, mais uma vez repetimos que a oposição deveria preparar seu plano emergencial. O céu está desabando e só não vê quem não quer.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *