Campos delimitados

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Campos delimitados, n. 476, 26 nov. 2005.

 

 

Queiramos ou não, a campanha eleitoral de 2006 desembestou. Em parte, porque o PT não conseguiu sair de sua defensiva, desde o caso Waldomiro Diniz. Em parte, também, porque a direita decidiu que a experiência de Lula e do PT no governo federal não deve ter continuidade, agora ou nas próximas eleições.

Assim, queiramos ou não, os campos estão delimitados. As alianças se re-arrumarão em torno desses pólos. Esperanças de criar vias alternativas, pelo centro ou pela esquerda, apenas funcionarão em detrimento de um dos lados, a favor do outro, por mais que alguns proclamem posições independentes, e outros falem em estratégias diferenciadas. Dificilmente será possível escapar da polarização.

Para o PT e para o governo Lula, o quadro que se delineia não é favorável como o de 2001-2002. Agora, o PT permanece imobilizado. Patina em sua incapacidade de acertar as contas políticas com os dirigentes que não só cometeram graves erros políticos, como resvalaram para irregularidades e delinqüências. Com isso, não consegue recuperar sua credibilidade, nem responder aos ataques da direita e da ultra-esquerda e, menos ainda, retomar a iniciativa política.

O governo, por seu lado, não consegue sair da armadilha, montada pela equipe financeira, de gerar superávits primários superiores ao programado. Com isso, agrava não só as dificuldades para a execução orçamentária, impedindo os investimentos mínimos necessários, como deixa que a bandeira do desenvolvimento e dos investimentos produtivos sejam arvorados pela direita.

Palocci bem que se esforça para demonstrar que sua política monetária é a única possível e responsável, e continuidade dos ajustes positivos dos governos anteriores, principalmente de FHC. Mas o PSDB e o PFL, que antes se empenhavam em demonstrar a mesma coisa, agora procuram desvencilhar-se dessa semelhança. Querem ficar livres para atacar as taxas de juros estratosféricas, a enorme carga tributária, a baixa taxa de investimentos e os índices medíocres de crescimento. Pretendem inverter a situação, passando para as costas do governo Lula a herança maldita que os governos Collor e FHC produziram entre 1990 e 2002.

Se o conseguirem, podem sangrar mortalmente o PT e o governo Lula. E o farão, mais pela incapacidade dos petistas em resolver os desafios que têm diante de si, do que pela capacidade da direita em praticar estelionatos.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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