Campanha acirrada

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Campanha acirrada, n. 487, 18 fev. 2006.

 

 

As mais recentes pesquisas de intenção de voto, embora sempre sejam um retrato de momento, apontam tanto uma surpreendente (pelo menos para a oposição tucano-pefelista e para os céticos) recuperação de Lula, quanto uma inflexão visível da conjuntura política. O PSDB e o PFL, que mantinham a iniciativa nas disputas partidárias, não só se mostram perplexos, como foram empurrados para a defensiva, embora sua arrogância não lhes permita abaixar a cabeça, quanto mais reconhecer que perderam o rumo.

Em tais condições, talvez a oposição conservadora também seja obrigada a escolher prematuramente seu candidato, como forma de se contrapor diretamente à candidatura ainda não admitida de Lula. Com isso, porém, corre o risco de aprofundar suas fraturas internas e embaralhar-se ainda mais.

Por outro lado, não é descartável a suposição de que o PSDB, o PFL e seus aliados ainda possuam alguma munição contra membros do PT que cometeram erros, e mesmo delinqüências, e até hoje não foram punidos pelo partido, nem fizeram autocrítica. Mesmo porque, alguns desses ex-dirigentes continuam falando e agindo como se nada houvesse ocorrido, e aparecendo ante a opinião pública como se dirigentes continuassem.

Isso representa uma fratura aberta na linha de defesa do PT, por onde os contra-ataques da oposição podem penetrar, se ela ainda não tiver esgotado todos os seus torpedos. Se tal contra-ataque ocorrer, não é despropositado supor que a conjuntura política pode sofrer nova reversão, desfavorável ao PT e a Lula.

Portanto, uma primeira conclusão que se pode tirar da situação é que tanto Lula quanto o PT ainda possuem uma considerável base social de apoio e um forte capital político, que podem levá-los a disputar com sucesso a campanha eleitoral de 2006, apesar dos problemas.

Segundo, a atual inflexão conjuntural ainda pode apresentar reversões, se o PT e o governo demonstrarem tibieza no tratamento daqueles que cometeram erros políticos e dos que praticaram delinqüências, deixando-os posar como próceres destacados.

Terceiro, a situação política geral aponta para uma clara e dura polarização entre a esquerda e a direita, embora exista gente que está trocando os sinais, e ache que ocorreu a transformação da esquerda em direita, e da direita em esquerda. Nessas condições, essa será uma campanha não só acirrada, como cheia de surpresas.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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