Bush, Soros e o Brasil

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Bush, Soros e o Brasil, n. 300, 01 jun. 2002.

 

 

O presidente Bush perguntou se havia negros no Brasil. Ele desconhecia. E o especulador Soros disse que quem vai decidir as eleições no Brasil é o sistema financeiro internacional e não o povo brasileiro. Para ele, quem faz eleições são os americanos, não os brasileiros.

Têm havido, com razão, comentários ácidos e sarcásticos sobre a ignorância de Bush. E, com razão, são inflamados os protestos contra a intromissão de Soros. No entanto, talvez seja necessário um pouco mais do que isso para tirar algumas conclusões a respeito do que disseram esses dois representantes das potências que pretendem dominar o mundo: os Estados Unidos e as megacorporações internacionais.

Como bem salientou Elio Gaspari, Bush jamais deve ter visto um representante diplomático ou governamental brasileiro que seja negro. Apesar de todo o seu reacionarismo e sua origem no sul escravista, ele possui pelo menos uma assessora de segurança nacional e um secretário de Estado negros. No Brasil não temos negro algum no primeiro escalão governamental, nem no Itamarati. Bush, sem querer, destruiu a falácia de ausência de racismo no Brasil e a hipocrisia da burguesia brasileira a respeito.

E a desfaçatez de Soros, afinal, desvendou aquilo que já se sabe cruamente há muito. São as grandes corporações internacionais, com seu ilimitado poder econômico, que decidem as eleições em todos os países de fachada democrática, desenvolvidos e emergentes. São eles que moldam candidaturas “confiáveis”, as financiam, unificam a mídia em torno delas, utilizam-se da espionagem e de armadilhas para destruir as candidaturas não-confiáveis, realizam movimentos econômicos e financeiros terroristas, montam conspirações, adiam ou apressam surtos especulativos.

Para Soros e seus parceiros de domínio, casos como o da Venezuela são exceções que confirmam a regra. Assim, ele não fez mais do que expressar em palavras o que já a banca internacional deve estar planejando para evitar a vitória do candidato popular no Brasil. E apenas complementa o aviso do FMI ao governo FHC, de que terá apoio em qualquer circunstâncias. Ou seja, se for importante argentinizar o Brasil antes do prazo, para responsabilizar Lula por antecedência e barrar sua vitória, no problem.

Desse modo, talvez a oposição popular no Brasil precise examinar mais atentamente o aviso de Soros. Não basta dizer que o povo brasileiro dará uma resposta a ele nas urnas. É preciso barrar, com medidas e mobilizações concretas, as possíveis fraudes no processo eleitoral e os movimentos desestabilizadores do governo. FHC se finge de tranqüilizante, enquanto seus ministros e seu candidato agem como terroristas. Não nos iludamos. Quanto mais nos deixarmos iludir por FHC, principal instrumento de Soros e Bush no Brasil, mais corremos o risco de sermos apanhados de surpresa.

Wladimir Pomar é escritor e analista político

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *