Aumentar a onda

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Aumentar a onda, n. 317, 12 out. 2002.

 

 

O povo brasileiro não conseguiu eleger Lula no primeiro turno. Mas a maioria deu ao candidato popular e ao PT a vitória mais consagradora já obtida por eles numa eleição. São 2 governadores já eleitos, 8 candidatos a governador que vão disputar o segundo turno, 10 senadores e provavelmente a maior bancada da Câmara Federal, com cerca de 90 deputados. Além disso, há um número considerável, ainda não totalizado, de deputados estaduais eleitos.

Com isso, o eleitorado brasileiro demonstrou não apenas sua posição oposicionista. Expressou seu profundo desejo de mudanças e sua confiança no PT como o partido que pode implementá-las. Desse modo, continuam dadas as condições para uma vitória esmagadora no segundo turno. A burguesia permanece dividida e nada indica que ela possa reunificar-se nesses próximos 20 dias. Se considerarmos os votos dados a Ciro Gomes e a Garotinho como votos de oposição e por mudanças, que realmente são, isso significa que dois terços do eleitorado brasileiro podem votar tranqüilamente no candidato popular.

É verdade que as corporações financeiras internacionais, como deixou claro o Wall Street Journal, preferem o candidato do governo. Serra é o seu candidato. E elas certamente vão tomar medidas para zerar o jogo. Farão tudo para não deixar as forças populares conquistarem a vitória histórica que está desenhada no horizonte. A máquina do governo também está aí para ser usada. A crise econômica e a especulação financeira não permitiram que os artilheiros do governo, como Malan, ficassem à vontade para agir impunemente contra Lula no primeiro turno. De qualquer modo, no desespero da segunda rodada, tudo será possível.

Desse modo, a campanha Lula vai ter que se preparar para enfrentar uma forte contra-ofensiva. Terá que ampliar suas alianças. Como frisou Lula na entrevista coletiva que deu no dia 7, será indispensável trazer para sua coligação os setores de esquerda e de centro envolvidos nas campanhas Garotinho e Ciro. E não deixar de angariar apoios, mesmo de outros segmentos políticos, que estejam contra o continuísmo da política de FHC-Serra.

No entanto, isso não bastará. Como ficou demonstrado na fase final do primeiro turno, o mais essencial de tudo, o antídoto que pode barrar qualquer ação da máquina governamental e das corporações internacionais que apóiam o candidato oficial, é aumentar a onda Lula.

Foi essa onda que empurrou para a vitória candidatos petistas a governador e a cargos proporcionais que apareciam nas pesquisas e análises políticas como azarões fora do páreo. E é essa mesma onda, aumentada, que pode garantir a vitória não só do próprio Lula, mas dos candidatos populares que disputam o segundo turno em vários estados. Como diriam os povos acostumados com as grandes ondas a que chamam tsunami: tsunami neles!

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político

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