As desculpas japonesas

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | As desculpas japonesas, n. 446, 30 abr. 2005.

 

 

As manifestações na China contra as mudanças nos livros de história do Japão, negando as atrocidades cometidas por suas tropas durante a II Guerra Mundial, continuam gerando controvérsias. Embora a imprensa chinesa tenha dado destaque às manifestações e o governo tenha assistido passivamente ao ocorrido, ambos têm reiterado que são contra qualquer campanha anti-nipônica e que é preciso distinguir o povo japonês de seus governos.

O recente pedido de desculpas do primeiro-ministro japonês, durante o encontro de cúpula afro-asiático em Jacarta, por outro lado, não atendeu aos reclamos dos países asiáticos que foram vítimas da agressão militar japonesa. A atitude de Koizumi, pedindo desculpas num fórum internacional, embora tenha sido vista como um passo, foi considerada insuficiente.

Pior: ela está sendo vista como uma repetição. O Japão faz isso toda vez que enfrenta problemas com os demais países asiáticos. No momento, quer evitar que cresça a resistência contra seu ingresso como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU e tem pela frente as disputas com a China em torno da soberania sobre as ilhas do Mar Oriental, dos direitos de exploração de gás e do delineamento do Japão como zona econômica exclusiva. Nesse contexto, as lembranças da II Guerra Mundial continuam a desempenhar um papel crucial nas relações asiáticas do Japão.

Os governantes japoneses têm se negado a admitir a responsabilidade do país diante de suas vítimas. No máximo, como fez agora Koizumi, reconhecem os danos e sofrimentos destrutivos causados por sua guerra de conquista. Mas até hoje não atenderam ao clamor asiático de emitirem um comunicado oficial de desculpas, em nome do governo, com o apoio e a aprovação parlamentar.

Ou seja, o governo japonês não fez o que é realmente necessário para romper com seu passado militarista. Ao contrário, todos os anos, os primeiros-ministros, inclusive Koizumi, e boa parte dos membros do parlamento comparecem ao panteão Yasukuni, para prantear os mortos de guerra japoneses, incluindo os militaristas que planejaram e executaram a agressão dos anos 1930 e 1940.

Para completar, uma corte judicial de Tóquio rejeitou uma apelação de sobreviventes e parentes das vítimas da guerra biológica e do massacre de Nanking, onde morreram mais de 150 mil pessoas, sob a alegação de que o prazo para tal apelação havia expirado.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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