Alguma novidade?

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Alguma novidade?, n. 148, 25 jun. 1999.

 

 

Depois que FHC resolveu tomar a peito a missão de sinalizar ao país que ele é quem realmente está no comando do segundo mandato, decidindo não aceitar mais brigas entre ministros e entre aliados, o mundo político brasileiro parece haver desabado.

Aconteceu a chanchada tenebrosa da nomeação do diretor da PF, o sai-não-sai do ministro Renan Calheiros e, com ele, do PMDB do governo, e a briga pouco edificante de ACM e Michel Temer, aparentemente em torno da CPI e da reforma do Judiciário.

Alguma novidade nisso tudo? Não, porque as disputas na base governista têm sido uma tônica desde o primeiro mandato de FHC. Essa base está unida quanto às medidas a descarregar sobre os ombros do povo, mas pode chegar ao rompimento quando estão em jogo os interesses particulares e corporativos de cada grupo encastelado no poder. Também não é novidade que FHC tenha mesmo perdido o comando e continue a tropeçar na própria sombra.

Mas não deixa de ser novidade a disposição do PMDB e ACM-PFL de não se furtarem ao enfrentamento com vistas à disputa presidencial de 2002 ou a um possível colapso do governo. Ambos estão com corda total tanto para malhar-se mutuamente, quanto para malhar FHC toda vez que este privilegiar um dos dois lados.

Assim, quem porventura acreditou no renascimento imperial de FHC e na sua força unificadora e pacificadora sobre os aliados provavelmente se frustrou. A briga tende a ficar mais acirrada e, se a oposição e os movimentos populares souberem tirar castanhas do fogo sem se queimarem, até podem gerar boas novidades.

O problema consiste em saber se a oposição está disposta a correr em raia própria, acirrando a disputa no campo alheio e abrindo brechas cada vez maiores na aliança neoliberal, ou se vai viver se aliando a um lado contra o outro, na esperança de tirar algum proveito. No primeiro caso, corre sempre o risco de se isolar se não tiver mobilização social. No segundo, pode virar mortadela no sanduíche.

 

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