Ainda as eleições

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Ainda as eleições, n. 202, 11 jul. 2000.

 

 

Nos comentários da semana passada, afirmei que FHC e seu governo tornaram-se imprestáveis como cabos eleitorais. Fora do contexto, essa frase pode levar a supor que os homens que estão no poder transformaram-se em cachorros mortos, incapazes de sequer rosnar. Não é nada disso. Eles e suas políticas, como foi o Plano Real, não podem mais ser apresentados como bandeiras capazes de iludir as grandes massas da população e, portanto, do eleitorado. Embora continue a propaganda de que a renda dos mais pobres melhorou, pesquisas menos carregadas de ideologia neoliberal mostram uma realidade de piora geral das condições de vida da classe média para baixo, e de insatisfação generalizada com esse governo que aí está. Nesse sentido, o Planalto é imprestável como cabo eleitoral.

Se isto é uma verdade inegável, tal não significa que FHC e seu governo tenham perdido qualquer capacidade de influir sobre as eleições. Eles dominam o orçamento e a liberação de verbas para quem queiram. Se o ex-secretário geral da presidência, Eduardo Jorge, foi capaz de liberar legalmente mais de 230 milhões de reais para o juiz Lalau, da máfia da construção do TRT de São Paulo, e de negação dos pleitos salariais, o que não podem fazer as canetas dos ministros e do presidente para os candidatos dos governadores e prefeitos aliados, durante a atual campanha eleitoral?

Eles também estão mancomunados com esse poderoso poder, formado pelos donos das principais empresas de meios de comunicação, que possuem recursos e técnicas para manipular as informações e influenciar fortemente as decisões dos eleitores, principalmente daqueles ainda sensíveis aos medos da capacidade popular de ter representantes próprios e governar.

Assim, subestimar a capacidade de FHC e seu governo atuarem com sucesso, como cabos eleitorais na sombra, seria imperdoável. Neste caso, eles nada têm de imprestáveis como cabos eleitorais – a não ser o seu caráter, é claro.

Em tais condições, se é possível suscitar todos os problemas nacionais como bandeiras de luta contra os candidatos aliados de FHC-PSDB-PFL-PTB – abertos e ocultos -, também será indispensável travar uma luta diária de descobertas e denúncias da interferência disfarçada do governo federal nas eleições locais. O que só se tornará viável, do lado da esquerda alijada de
coberturas neutras pelos meios de comunicação, se suas campanhas forem massivas, com capacidade de amplificar suas propostas, argumentos, acusações e denúncias, muito além do círculo dos militantes e simpatizantes engajados.
Como exemplo dessa capacidade, temos, de cara, o Plebiscito da Dívida Externa, para mostrar até onde FHC e companhia endividaram e empobreceram o país. Pelo resultado, será possível avaliar a amplitude da ação mobilizadora dos candidatos comprometidos com a luta popular e até que ponto a força enganadora do governo ainda é eficaz.

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