Ainda a síndrome programática

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Ainda a síndrome programática; 16 jul. 1998.

 

 

FHC estancou a queda e recuperou parte do terreno perdido, mas Lula ficou parado ou perdeu pontos. Ou seja, FHC manteve a iniciativa política, aproveitando-a positivamente, seja pelo uso eleitoral da máquina do governo, seja evitando acirrar a insatisfação social. Lula, por sua vez, após crescer no embalo das iniciativas negativas de FHC, nada fez para levar o adversário a novas trapalhadas e tomar a iniciativa política.

A campanha Lula parece atacada por dois virus fatais. O primeiro é a suposição de que ela pode ser feita nos mesmos padrões da de FHC, tendo os programas eleitorais gratuitos como fulcro. Tudo fica na dependência da criatividade dos marqueteiros, quando tudo deveria se voltar para a mobilização da militância e de grandes massas. A esta altura, o circuito de comícios e outros atos mobilizatórios já deveria estar numa segunda rodada, fornecendo aos programas eleitorais o material para realimentar a própria mobilização.

O segundo diz respeito às propostas do programa de governo. O governador Cristovam Buarque vocalizou com inusitada crueza o que, na prática, é apresentado pela campanha Lula: um programa Comunidade Solidária competente e criativo, nada mais. Um programa que acha ótima e indiscutível a estabilização de FHC, e técnica e competente a equipe Malan-Franco, voltado para manter a política atual, mas organizando uma bolsinha aqui, outra acolá, para evitar a morte da pobreza em ondas perigosas.

No entanto, como o Brasil real do Real é o Brasil da estabilização monetária com desemprego, inadimplência, quebradeira de empresas, entrega do patrimônio público e desnacionalização da economia, instabilidade financeira, falência do sistema de saúde, ruína da educação e ampliação da miséria e da violência, para mudar isto e manter a estabilidade monetária, será preciso um programa que mexa fundo na economia, a começar pelo crescimento econômico como base para um ataque em larga escala aos problemas sociais.

Se estas coisas não forem ditas com franqueza, se ficarem no rosário de promessas da carta compromisso de Lula, sem dizer quem vai pagar a conta das mudanças (o que nada tem a ver com orçamento da União), se ficarem no programa comunidade solidária do governador Buarque, neste caso ACM terá razão: o povo vai achar que é melhor deixar a dupla Malan-Franco no comando, e basta FHC não fazer besteira, que a reeleição estará no papo.

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