Agora vai! Vai?

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Agora vai! Vai?, n. 408, 31 jul. 2004.

 

 

Praticamente todo mundo entrou na onda da retomada do crescimento. As notícias e comentários referem-se sempre a um “crescimento sustentado”. Os empresários estão animados com o aumento da produção e com a reanimação do consumo, embora as demandas do mercado internacional sejam os principais indutores da retomada econômica.

Quem tem compromissos com o sucesso do governo popular não pode, porém, deixar-se enganar por miragens. Em algum momento, a performance nas exportações teria que se refletir num crescimento de 4% a 5%, já neste ano. No entanto, bem vistas as coisas, tal crescimento ainda se encontra superando a ociosidade da capacidade produtiva instalada.

Com taxas de investimento anuais de 17% a 20%, pouco será acrescentado a tal capacidade. Então, no momento em que a produção bater no topo da capacidade instalada, começaremos a ter conflitos entre o atendimento do mercado externo e do mercado interno, mesmo que o consumo interno não aumente na mesma taxa da produção. E as pressões inflacionárias voltarão, agora pelo lado da demanda não atendida, ameaçando transtornar novamente todo o panorama econômico do país.

Além disso, como os próprios sinais de reanimação estão mostrando, enquanto se prevêem taxas de aumento de até 5% do PIB este ano, as taxas de incremento dos empregos talvez não cheguem a 2%. Ou seja, o desemprego continuará sendo uma mancha social e política sujando os horizontes de crescimento econômico do país.

Então, teremos ou não um crescimento sustentado? Agora, vai ou não vai? Diríamos que vai se o país aumentar sua taxa de investimentos a um patamar anual de pelo menos 25% do PIB. E se conseguir um crescimento menos desequilibrado, rompendo com a timidez no alívio da carga tributária e na extinção da legislação restritiva, que impedem a expansão da capacidade produtiva das micros e pequenas empresas.

Primeiro, elevar os investimentos em infra-estrutura e na capacidade produtiva do país a um piso sustentável. Paralelamente, incluir na vida econômica normal não apenas os milhões de micros e pequenos empreendedores, hoje na clandestinidade, mas também os milhões de desempregados totais e parciais. Estes são dois aspectos chaves na problemática do crescimento brasileiro. Se eles não aparecerem nitidamente, é quase certo que o crescimento não terá sustentação e corre o risco de não passar de mais uma bolha na história econômica brasileira.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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