Agora é Lula!

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Agora é Lula!, n. 313, 14 set. 2002.

 

 

Há menos de um mês das eleições, o quadro eleitoral parece escorregar também para o jogo bruto das manipulações das pesquisas de opinião e para tentativas desesperadas da candidatura oficial e de Garotinho voltarem suas baterias contra Lula. A campanha Serra pretende-se livre do assédio de Ciro e, segundo se informa, prepara torpedos contra o candidato popular. E Garotinho anuncia ser ele o anti-Lula, indo para o segundo turno como tal.

Na verdade, os três encontram-se relativamente embolados. E procuram escapar do abraço mortal em que se envolveram, justamente por terem como meta tornar-se, cada um a seu modo, o anti-Lula: Serra como defensor do governo FHC, mas prometendo mudanças; Ciro e Garotinho como oposição ao governo FHC e também prometendo mudanças. Assim, todos só podiam almejar a posição de anti-Lula roubando as bandeiras históricas do próprio Lula: oposição e mudanças, os sentimentos mais arraigados do eleitorado neste momento.

Uma das formas para fazer Serra sair daquele abraço mortal seria descolá-lo da disputa com Ciro, mostrando este em queda e aquele em curva ascendente. Se Garotinho também subisse um pouco, empatando com Ciro, a guerra seria transferida para o terreno dos dois, deixando Serra livre. As últimas pesquisas de opinião levaram euforia à coordenação da campanha oficialista, ao apresentar o cenário ideal que buscavam. Coincidências existem, o que se há de fazer?

De qualquer modo, coincidência ou não, os marqueteiros de Serra cunharam o slogan Agora é Lula!, para mostrar que seus morteiros serão atirados de agora em diante contra o candidato popular. Prometem, inclusive, uma arma secreta para atingi-la. E Garotinho, também coincidentemente, embora tenha necessidade de reafirmar sua condição oposicionista, está mostrando cada vez mais ser oposição a Lula.

O problema deles consiste em que, se atacarem Lula com as baixarias que têm usado entre si, vão atingir os sentimentos de oposição e mudança da esmagadora maioria do eleitorado. Então, para Lula, que passou relativamente incólume pela fase terrorista de tentarem associá-lo ao caos financeiro e ao exemplo argentino, o problema consiste justamente no inverso: dar ênfase a seu histórico de oposição ao governo FHC e às mudanças econômicas, sociais e políticas que pretende realizar para reverter a situação de quebradeira econômica e de miséria social do país.

Se a isso, a campanha Lula transformar os sentimentos populares numa forte corrente de mobilização popular pelas mudanças, engajando fortemente a militância nesta reta final, quase certamente o Agora é Lula! poderá tornar-se no inverso do que pretendem os coordenadores da campanha do candidato do governo.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político

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