Afinal, que fazer?

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | Afinal, que fazer?, n. 219, s/d.

 

 

É impressionante a montanha de opiniões sobre o que o PT e seus novos prefeitos devem fazer. Para uns, devem retirar da agenda, imediatamente, o assunto 2002. Para outros, devem transformar a onda vermelha em onda verde amarela, pois a onda que levou o PT a crescer tem a cor do Brasil. Nessa linha, sugere-se que as novas administrações sejam mais amplas do que as alianças do PT para 2002, traduzindo em propostas, projetos, medidas e ações as aspirações populares de democracia, estabilidade monetária, fim da corrupção, respeito às leis, erradicação da pobreza, redução das desigualdades, segurança, crescimento econômico, geração de emprego, transportes, educação, justiça.

Assim, apesar do governo e seus partidos não fazerem outra coisa, senão articularem-se com vistas à próxima sucessão presidencial, inclusive através de medidas para evitar o sucesso das administrações petistas e de fórmulas para impedir a vitória popular em 2002, sugere-se que as administrações petistas se moderem, olhem para os problemas imediatos do povo, atendam a toda a sociedade, não apenas a uma parte dela, e não pensem em 2002.

Por outro, embora nada indique que as elites estejam dispostas a modificar suas políticas, exige-se que as administrações petistas resolvam problemas estruturais da sociedade brasileira por meio de respostas imediatas. Com isso, o PT e suas administrações são colocados diante de um imbróglio, um nó de muitas pontas, um emaranhado de questões imediatas e estruturais, que se traduzem naquilo que o professor Cristovam Buarque chamou de “profundo descontentamento com o estado de coisas em nosso país”.

É evidente que esse “estado de coisas” – democracia de encenação, estabilidade monetária fictícia e instável, desemprego, pobreza e miséria, corrupção, violência, injustiça – que transformou os problemas estruturais em problemas imediatos tem que ser enfrentado pelas administrações petistas com medidas efetivas de participação popular, desenvolvimento econômico e social, e outras que digam respeito aos problemas mais prementes da população.

Entretanto, elas não podem cair na armadilha de aceitar a suposição de que são capazes de resolver tais problemas, tendo no governo central um grupo com poder para recriar, constantemente, aquele “estado de coisas” e realimentar o profundo descontentamento popular, apesar de boas administrações municipais e estaduais.

Será possível enfrentar aqueles problemas, nos níveis municipal e estadual , sem enfrentar, como um aríete, as políticas do governo central? Será possível mudar aquele “estado de coisas” apenas com ações locais, sem mudar o governo central? E será possível mudar esse governo e resolver aqueles problemas se o PT não se transformar na expressão daquele profundo descontentamento popular, evitando que a direita populista o faça? Que fazer?

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