A teoria do caos

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | A teoria do caos; 11 jun. 1998.

 

 

A campanha eleitoral nem começou e, sob o comando de ACM, a teoria do caos foi retomada com todo o vigor. Aparentemente, esta estratégia de impor o medo à sociedade foi posta em ação em virtude da queda precipitada de FHC e, uma não menos surpreendente subida de Lula, nas pesquisas eleitorais.

Na verdade, porém, esta prematura operação estratégica está relacionada a problemas mais amplos enfrentados pelo grupo no poder. Seus analistas finalmente parecem haver se dado conta que estão diante de problemas estruturais e não sazonais, como teimavam em afirmar. O principal deles sendo a quebra do encanto que mantinha a população trabalhadora paralisada ante uma política econômica que a jogava numa situação social calamitosa.

Diante disto, se a atuação persistente e desassombrada do MST, como estimulante a uma dispersa mas crescente mobilização social, já era uma ameaça aos planos continuistas do grupo de FHC, a subida de Lula nas pesquisas, independentemente de sua própria ação real, torna mortal tal ameaça ao transformar-se em expressão daquela mobilização.

A sensação de pânico, evidenciada pelo grupo governista, resulta justamente da descoberta do perigo estrutural representado pela possibilidade concreta de Lula confundir-se com o poste que vai ganhando contornos de bandeira de luta da maré crescente de mobilização social.

A estratégia do medo, cujo eixo é a teoria do caos, tem assim o triplo objetivo imediato de romper aquela integração mortífera entre a mobilização popular, o poste que simboliza a insatisfação e o descontentamento do povo, e a candidatura Lula.

Trata-se de isolar ou reprimir os movimentos sociais, em especial os Sem Terra (vide a revista Veja e outras matérias da mídia), impor a Lula uma linha moderada de distanciamento ou condenação às ações e mobilizações do povão, e deixar o poste livre para ser entronizado por qualquer outro candidato das próprias elites, a exemplo de Ciro Gomes.

Se a esquerda não souber demonstrar que o caos já existe e foi criado pela política governamental (desemprego, inadimplência, juros escorchantes, quebradeira de empresas, insegurança financeira, insegurança social e individual, violência crescente), e cair na armadilha de pautar sua atuação e suas propostas pela agenda dominante, a estratégia do medo quase certamente terá êxito e ACM e FHC conseguirão reverter a situação.

A resposta dada por eles à crise política em que a candidatura oficial havia mergulhado terá sido adequada, demonstrando que a própria esquerda brasileira ainda não sabe confrontar-se com a teoria do caos, há muito aplicada pelas elites como recurso básico de sua dominação.

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