A política da impotência

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | A política da impotência, n. 262, 15 set. 2001.

 

 

O terrorismo é a política da impotência. Pode ser o terrorismo de Estado da potência hegemônica norte-americana, que bombardeia populações civis com seus foguetes e armas sofisticadas, a pretexto de defender os Estados Unidos do terrorismo de governos inimigos. Pode ser, também, o terrorismo fundamentalista, que ataca alvos simbólicos e mata inocentes, a pretexto de abalar a autoconfiança da potência imperial. Pode ser, ainda, o terrorismo mafioso, que assassina oposicionistas políticos ou prefeitos petistas, a pretexto de afastar de seu caminho pessoas que atrapalham seus planos criminosos.

Em qualquer dos casos, é a impotência. A impotência da política imperial, que não consegue subordinar ou destruir países, povos ou Estados que não rezam por sua cartilha, acabando por alimentar o ódio desvairado dos impotentes contrários. A impotência destes, que não conseguem impedir a potência imperial e seus aliados de massacrar seus povos e destruir seus lares, e terminam, por seus atos, incentivando o reacionarismo hegemônico a endurecer suas políticas destrutivas e causar ainda maiores sofrimentos aos povos. E a impotência de políticos e criminosos, cevados pelo conluio entre o Estado cartorial e a iniciativa privada, que não conseguem impedir o crescimento da luta contra a corrupção e, por suas ações, pretendem não só eliminar seus contrários, como desencaminhá-los para ações do mesmo tipo.

O futuro dessa política da impotência, desse terrorismo, é apenas a destruição. Tanto faz que a potência imperial a realize em nome da democracia, que os fundamentalistas a pratiquem em nome de uma religião, de uma doutrina ou de uma nação vilipendiada, ou que os mafiosos não se utilizem de motivação alguma para justificá-la. Sua principal vítima é o povo, onde quer que esteja, seja porque é quem sofre suas conseqüências, seja porque é ignorado em seus interesses, aspirações e sentimentos. E uma política que desconsidera o povo é uma política sem futuro.

Nessas condições, seria um engano profundo as forças populares de esquerda se regozijarem pelos atentados terroristas contra o World Trade Center de Nova York e outras instalações civis e militares dos Estados Unidos. Ou, ao repudiar tais atentados, apoiar a política terrorista de retaliação anti-terrorista norte-americana. Da mesma forma que é um engano profundo que militantes de esquerda se esqueçam dos perigos terroristas que os cercam, ao batalharem pela ética na política e pelas transformações sociais, e permitam que companheiros em funções públicas sejam tocaiados e assassinados sem contemplação.

A esquerda não pode compactuar com o terrorismo, venha de onde vier. Em toda a sua já longa história, nacional e internacional, ela pagou caro toda vez que vacilou diante dele. Em homenagem ao companheiro Toninho, qualquer que tenha sido o motivo do terrorista que o abateu, nunca será demais reiterar nossa oposição a essa política da impotência.

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