A mídia como estratégia

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | A mídia como estratégia; 18 ago. 1998.

 

 

Os principais candidatos, seja à presidência, seja aos governos estaduais, escolheram a utilização da mídia, mais particularmente dos programas eleitorais gratuitos, como estratégia fundamental.

Não há dúvida que a televisão, em especial, transformou-se num poderoso instrumento de formação da opinião pública. É um quarto poder, que molda pensamentos, impõe modismos e, várias vezes, tem decidido escolhas populares. Não pode, pois, ser desprezada num embate eleitoral ou em qualquer disputa política.

Isto posto, criou-se a ilusão de que a legislação eleitoral, ao estabelecer o uso gratuito da televisão para a propaganda eleitoral, iguala as oportunidades. Os candidatos teriam a mesma chance de mostrar propostas e convencer o eleitorado. Além disso, com criatividade e originalidade comunicativas, seria possível superar a propaganda adversária. Com isso, os marqueteiros tornaram-se profissionais caríssimos. Deles se espera milagres políticos e deles depende a vitória ou derrota.

A igualdade de oportunidades, porém, é uma balela. Primeiro porque os tempos são desiguais. Um candidato que tem 12 minutos de programa já leva uma imensa vantagem sobre o que só tem 4 minutos. Depois, embora a criatividade e originalidade possam ajudar, elas não são privilégio de qualquer partido. Podem ser rapidamente assimiladas e dependem, e muito, da parafernália tecnológica colocada à disposição dos marqueteiros.

Em outras palavras, dependem fundamentalmente de recursos financeiros. Assim, aqui como em outros campos, consegue mais quem tem maior poder econômico. Eis porque candidatos como FHC, César Maia, Maluf, Antonio Brito e outros podem ter a mídia como sua estratégia básica. Seu primeiro programa até pode não ser o melhor, mas seus recursos são suficientes para corrigí-los a tempo.

Os candidatos populares, porém, se tiverem os programas eleitorais como estratégia fundamental, ficam todo o tempo em desvantagem e só em casos muito raros conseguem superar as vantagens adversárias. Eis porque só podem tê-los como estratégia complementar.

Para eles, a estratégia básica continua sendo a mobilização popular massiva. Comícios de 40 mil pessoas, como o de Recife, se forem devidamente multiplicados pelo país, inclusive através do apelo da mídia, são um dos instrumentos fundamentais para igualar oportunidades. E de retirar das costas dos marqueteiros a responsabilidade de possíveis derrotas.

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