A industrialização brasileira

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | A industrialização brasileira, n. 548, 02 mai. 2007.

 

 

É verdade que os capitais das potências coloniais já haviam transferido, durante a onda de globalização imperialista do século 19, elementos do modo capitalista de produção e circulação para os países dominados, ou sob sua influência, como o Brasil. Haviam implantado estradas de ferro, portos, oficinas de reparos pesados, e mesmo algumas indústrias. Tudo com o objetivo de transportar as matérias-primas minerais e agrícolas demandadas por seus centros industriais e, em sentido contrário, transportar os produtos industriais de suas fábricas, e distribuí-los nos mercados daqueles países e regiões.

Foi no jogo das disputas entre os países industriais que uma parte dos latifundiários brasileiros começou a transformar-se em capitalista, em geral sem abandonar seu monopólio territorial. Mas tais brechas eram estreitas. Os países capitalistas impediam, por todos as maneiras, a transferência de elementos mais consistentes do modo de produção capitalista, como tecnologias e indústrias de base, para fora de seu território imperial. Assim, para dar um salto em seu desenvolvimento capitalista, foi preciso que uma parte ilustrada da classe latifundiária brasileira tomasse o Estado, e o pusesse a serviço da industrialização, a marca principal do capitalismo nos séculos 19 e 20.

Sob a hegemonia daquele setor latifundiário, durante os anos 1930 e 1940, o Estado brasileiro planejou, financiou e atuou diretamente na implantação industrial, inclusive de base, construindo as indústrias química, metalúrgica e siderúrgica, e indo muito além dos elementos de capitalismo já instalados no país pelos capitais franceses, ingleses, alemães e norte-americanos. Para tanto, implantou um engenhoso pacto patrimonial entre os capitais estatais, os capitais privados estrangeiros e os capitais privados nacionais, de modo a reduzir a resistência dos estrangeiros, e criar o capitalismo nativo.

A consolidação do pacto entre os capitais estatais e os capitais privados, nacionais e estrangeiros, criou as condições para a nova onda de industrialização brasileira dos anos 1950. Mesmo porque, foi no processo de descolonização e emergência de novas nações, que se seguiu à segunda guerra mundial, impondo a substituição do domínio territorial pela disputa e domínio econômico, que os capitais das principais nações capitalistas começaram a fluir mais intensamente para os países e regiões periféricas, participando nos diversos aspectos de sua industrialização.

Foi a partir de então que o Brasil começou a parecer capitalista, embora já fosse injusto e desumano.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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