A arma final

Correio da Cidadania

WPO | ART | CCD | A arma final, n. 522, 21 out. 2006.

 

 

Antes do primeiro debate entre os dois candidatos à presidência, as oposições cifravam suas esperanças em jogar Lula nas cordas com ataques diretos à propalada corrupção governamental, e nocauteá-lo por meio de propostas programáticas de desenvolvimento, corte de gastos e, quem diria, não-privatizações. A agressividade do candidato tucano era o sinal mais evidente de seu convencimento de que estava desferindo golpes arrasadores em seu adversário.

Não se pode negar que Lula chegou a ir às cordas. Mas também deve-se admitir que o tucano colocou a nu a natureza arrogante de sua classe, achando que bastaria afirmar sua opção pelo desenvolvimento, corte de gastos e não-privatizações, para que todos acreditassem em suas promessas. Esqueceu-se de que muita gente do povo sabe que o desenvolvimento não faz parte do programa praticado pelo PSDB e PFL, o corte de gastos tucano-pefelista tem se resumido à quebra do Estado e à privatização do patrimônio público, e que a não-privatização era apenas uma promessa diversionista.

Os resultados desse debate, assim como das alianças para o segundo turno, mostraram que a sociedade brasileira começara a dar-se conta da polarização que já era real desde o primeiro turno. E que, apesar da aparente derrota de Lula naquele confronto televisivo, o que estava em jogo era o retorno ou não ao domínio da direita conservadora e reacionária sobre o governo. Talvez por isso, a própria direita seja obrigada a esconder sua opção e, ao invés de usar camisetas com “Alckmin Sim”, tenha que usar a negativa “Lula Não”. E, também por isso, em vez de cair nas preferências eleitorais, Lula tenha subido.

Diante disso, os comandantes da campanha tucano-pefelista estão se vendo na contingência de desistir de seu prometido debate de programa e propostas de governo. Seus movimentos mais recentes, pautados pelo conhecido padrão de ausência de credibilidade da revista Veja, apontam para o uso único e exclusivo do dossiê Vedoin como arma final para desestabilizar e deslegitimar a candidatura Lula.

Esperam que tal arma lhes proporcione o mesmo resultado do primeiro turno, levando Alckmin a superar Lula nas urnas. Ou, no caso em que as urnas não lhes sejam favoráveis, tenham supostos argumentos para derrubar o presidente através de impeachment parlamentar ou de alguma outra forma extra-legal. Talvez isso acabe por convencer os indecisos de que, se a direita usa tal tipo de arma, é porque a raça que está no governo não é a sua.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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