Novos sinais de alerta

Carta Maior

WPO | ART | CMA |Novos sinais de alerta; ago. 1997.

 

 

Apesar da aparente segurança das autoridades econômicas e do presidente da República e do seu empenho em tranquilizar os agentes econômicos e a opinião pública a respeito dos perigos que rondam a moeda, não se passa um dia sem que soe algum sinal de alerta.

O mais sonororo deles, sem dúvida, desde nossa última edição, foi a desvalorização brusca das moedas de alguns tigres asiáticos, como a Tailândia, a Indonésia e a Malaísia. Os bancos centrais desses países não conseguiram suportar o ataque especulativo e tiveram que aceitar a transformação de sistema cambial de bandas num sistema de livre flutuação.

O ataque, e consequente desvalorização, era porém previsivel. Porque lá, como aqui, os saldos nas contas correntes tornaram-se assustadoramente negativos, superando a taxa de 7% do PIB. Embora alguns daqueles países tivessem razoáveis reservas internacionais, isto não foi suficiente para tranquilizar os investidores, em particular aqueles que manipulam os smart money.

Além de serem obrigados a tornar seu câmbio flutuante e terem visto grande parte de suas reservas voarem repentinamente, aqueles tigres estão tendo, ainda, que realizar ajustes em sua produção e no consumo. A situação não chega a extremos de gravidade, como no caso do México, porque eles apresentavam taxas de crescimento econômico e de emprego acima de 6%.

O governo brasileiro considera que nosso país está a salvo. Em certa medida, até ficou contente com a desgraça alheia, porque supõe que os capitais em fuga daquelas paragens da Ásia podem aportar no Brasil. Só se esquece de que nosso déficit em contas externas deve beirar ou superar os 5% este ano, na hipótese favorável de que as importações sejam realmente contidas e as exportações cresçam.

Em outras palavras, nossa contas externas estão se degradando, mesmo nas condições mais favoráveis, e a natureza dos capitais que desestabilizaram os países asiáticos não mudará só porque possam vir para o Brasil. Um ataque especulativo ao Real terá a agravante de encontrar grande parte da nossa economia numa situação francamente recessiva, com elevadas taxas de desemprego. Talvez um toque de modéstia pudesse levar as autoridades brasileiras a evitar maiores transtornos para o país.

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