CARTAS DO PASSADO

As cartas encontradas neste livro foram escritas em dois momentos históricos diferentes.

As primeiras em 1964, ano inaugural da Ditadura Militar.

As demais em 1977-78, quando já se iniciara a fase de declínio do regime, abalado pelo fim do “Milagre Econômico” (1973) e depois, sucessivamente, por fatos como a votação maciça na oposição nas eleições parlamentares (1974), a reação popular ao assassinato de Vladimir Herzog (1975), o renascimento do movimento estudantil (1976-77), a Campanha pela Anistia e as greves operárias da região do ABC paulista (1978).

Nesses marcos, as cartas aqui reunidas podem constituir uma modesta, mas singular contribuição aos pesquisadores. Ao mesmo tempo, narram uma bela história de amor. Motivos, acreditamos, suficientes para merecerem ser lidas.

As primeiras cartas foram trocadas em 1964, depois que um dos missivistas, Wladimir Ventura Torres Pomar, então engenheiro de serviços de locomotivas da General Electric, tornou-se preso político na Bahia ao ensaiar uma tentativa de resistência ao regime dos generais.

No outro polo dessa correspondência estava a biblioteconomista Rachel da Rocha Pomar, esposa de Wladimir.

O jovem casal passaria a viver um turbilhão de sentimentos e desafios, que a relativa tranquilidade dos anos anteriores não permitia adivinhar. Funcionário da General Electric com curso nos Estados Unidos, militante do Partido Comunista desde os 14 anos, o engenheiro tornou-se prisioneiro da Polícia Militar em Iaçu, no interior baiano — onde trabalhara durante alguns anos e onde acreditava ser possível iniciar uma resposta aos golpistas.

Tinha então 28 anos, a mesma idade de Rachel. Encarcerado num quartel de Salvador, foi libertado depois de sete meses, com outros companheiros, por habeas corpus do Supremo Tribunal Militar (STM) que o Exército inicialmente se recusou a acatar.

O segundo conjunto de cartas é dos anos 1977-78, novo período de prisão sofrido por Wladimir.

Entre outubro de 1964, quando deixou a cela de um quartel na Bahia, e dezembro de 1976, quando foi capturado em São Paulo por agentes do II Exército, ele e sua família viveram em clandestinidade em diferentes pontos do país.

Dirigente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), proscrito pelo regime militar, Wladimir vivia com Rachel e dois dos filhos em Belém, quando foi preso em São Paulo (para onde se deslocara por alguns dias), numa devastadora operação repressiva.

A publicação deste livro faz parte de um conjunto de iniciativas que pretende marcar os 80 anos de Rachel e de Wladimir, que serão comemorados no dia 28 de janeiro e 14 de julho de 2016, respectivamente.

O livro Rachel e Wladimir – Cartas do Passado, já divulgado em versão digital, será também impresso.

As pessoas interessadas em adquirir antecipadamente um exemplar, devem escrever para pomar.valter@gmail.com.

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